Começo fazendo um adendo…
Uma coisa que o João convenientemente esqueceu de mencionar (e que eu, como boa jornalista de viagem não remunerada, acho essencial que o caro leitor saiba) é que quando ele me fez essa proposta absolutamente romântica de cruzar a Via Claudia Augusta na nossa lua de mel (em vez do meu sonho inicial de só Itália, porque aparentemente eu sou flexível… ou sagitariana demais para recusar desafios), eu aceitei.
Sim, aceitei.
A minha maior preocupação na época era: “como vamos carregar essas malas?”
Hoje eu entendo que roupa é basicamente um conceito abstrato nessa viagem, você usa, lava, repete, e segue a vida alpina.
Mas justiça seja feita: o homem não me deixou carregar absolutamente nada. Nada. Nem a dignidade da minha mochila. Ele virou literalmente um carrinho de bagagem humano oficial da Via Claudia. Um verdadeiro cavalheiro em modo hard.
Agora vamos ao que interessa: o nosso glorioso dia de Ehrwald até Tarrenz.
Saímos de Ehrwald às 9:30 da manhã, depois de um café digno de sobrevivência alpina, com temperatura de agradáveis 6 graus(sensação termica de 3°).


Começamos no modo “vamos com calma, hoje é leve”.
Aham. Claro.
Porque logo vieram elas: as subidas.
E não eram subidas normais. Eram aquelas subidas que parecem testes psicológicos disfarçados de geografia. Em certo momento, confesso: desci da bike e empurrei …que vergonha 😁
Enquanto isso, João, brasileiro raiz, espírito olímpico da teimosia, seguia firme como se estivesse num passeio de domingo no parque. Resistência nível “não sei se admiro ou se denuncio”. Kkkk

Uma curiosidade: em cada vilarejo que passamos desde o início da viagem tem sempre cruzes com Jesus, essas cruzes fazem parte de uma tradição muito antiga e estão ligadas principalmente ao catolicismo da região.

E no meio do caminho: alpacas.
Sim. Alpacas. Olha os dentinhos delas kkk e o penteado, então!


E então chegamos ao ponto alto (literalmente): 1212 metros de altitude.
Meu cérebro, nessa altura, já não estava mais fazendo turismo, estava apenas emitindo pensamentos intrusivos do tipo:
e se eu simplesmente escorregar e virar lenda local? Hahaha

E sim, nesse momento épico, consegui o feito técnico de furar o pneu da bike, mesmo só a empurrando.
Aí entrou em cena o João: mecânico, engenheiro, salvador da pátria e acumulador oficial de funções na viagem.
E seguimos.
Depois 15 km de subida com aquele leve tempero de sofrimento… recompensa divina: descida.
Mas não uma descida qualquer. Uma descida com cara de trailer de filme: estrada estreita, pedras, rios do lado, vento no rosto, adrenalina pura. Gostei muito.
Passamos ainda por um castelo-cervejaria lindo, cenário tão bonito que até as fotos ficaram mais comportadas.


Chegamos em Tarrenz.
O hotel é um barril charmosíssimo, sim, estamos oficialmente vivendo como hobbits alpinos.
Comenos algo sofisticado e totalmente inesperado: veado selvagem. Porque aparentemente na Áustria até o cardápio faz trilha com você.
Depois fomos conhecer a cidade, que é simplesmente linda: antiga, charmosa, com aquela arquitetura que faz você repensar tudo que chama de “casa bonita” na vida.
Agora seguimos com compras de mercado (glamour nível 10/10) e descanso merecido.




E deixo aqui registrado: minha admiração ao meu marido. Um homem gentil, resistente, multifunção, e, oficialmente, carregador de malas profissional não remunerado da Via Claudia. Te amo. E até amanhã, pessoal.





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