Esta última história será dividida em 3 etapas, então vamos lá.

De Verona a Munich

De Peschiera a Verona vocês acompanharam ontem, então é desse ponto que vamos partir.

De Verona até onde vos escrevo tínhamos quase que uma missão, que seriam 3 trens consecutivos, desmontar as bikes e depois mais um ônibus.

Primeiro trem, destino Brenero.

Adianto que entre o segundo e terceiro trem, teríamos apenas 3 minutos para fazer a baldeação, e o complicador: tudo em alemão.

Depois do primeiro trem, conseguimos pegar um trem de horário antes doque era programado para ser o nosso. E tcharam, recebi um e-mail, avisando que o trem que eu deveria pegar, iria atrasar e com isso perderia o terceiro trem.

Desde a outra viagem de bike, tenho comigo, que “tudo que dá errado, dá certo”. E mais uma vez isso se mostrou.

Segundo trem, destino Insbruck.

O primeiro momento de tensão foi superado, mas ai veio a dúvida, será que o hotel guardou as caixas das bikes?

Os caras foram muito gente boas, e lá estavam as caixas nos esperando.

E já sabem, montamos as caixas e desmontamos as bikes na rua. Juliana ainda não sabia oque ia acontecer.

Bora malhar os braços e carregar as caixas pelas ruas, por dentro da estação de trem até o embarque do ônibus pro aeroporto.

Ao chegar no ponto: último ônibus tinha saído 1h antes.

Nessa hora o cansaço bateu em mim.

– Chat GPT, como chego no aeroporto?

– pega o metrô

E lá vamos nós carregar as caixas pelo metrô 2 andares pra baixo da rua.

Sim, deu certo. Agora só esperar umas 12h para nosso voo.

O regresso, por Juliana

Ontem, como o João comentou, passamos o dia em Peschiera — e que lugar absurdo de lindo. Daqueles cenários que parecem ter sido desenhados com calma por alguém apaixonado pela vida. Só não conseguimos andar de vespa hahaha. Descobrimos que precisaríamos de uma habilitação especial. Ficou para a próxima aventura… porque aparentemente a Itália ainda não estava preparada para nós dois motorizados.

Eu também estava ansiosa pelo retorno. É um sentimento estranho: uma mistura da saudade dos meus pequenos (Arthur e Beni ❤️) com a saudade antecipada de tudo que ainda nem terminou direito dentro de mim. Mas, ao mesmo tempo, eu só conseguia pensar na logística da volta: 4 trens, bike desmontada, caixas, aeroporto… parecia episódio final de reality show de sobrevivência europeia.

Mas começamos bem. Nossa pedalada foi deliciosa, um trecho tranquilo, bonito, leve… sinceramente, esse eu faria todos os dias sem reclamar kkk. Em Verona pegamos o primeiro trem às 11h50. E no caminho… ah, quantas paisagens lindas. Quantas cidades passando pela janela e deixando aquela sensação de “como o mundo é grande e bonito”. Em um dos trechos do trem, chorei um pouco. Acho que foi o coração tentando entender tudo o que viveu nesses dias.

Depois dos 4 trens, chegamos em Munique às 18h. Pegamos as caixas, e João começou a desmontar as bikes como quem desmonta Lego profissionalmente depois de um café forte. Depois veio a parte olímpica: carregar caixa até o ponto de ônibus. Nesse momento, cansada, pensei: “onde fui amarrar meu burro?” kkkkk. Mas bastava olhar ao redor que a reclamação evaporava rapidinho.

Chegamos às 20h para pegar o ônibus do aeroporto… e claro: o horário já tinha encerrado. Porque a aventura ainda não tinha terminado, né? Então bora de metrô. João resolve tudo com uma calma impressionante. Arrastamos malas e caixas pelo metrô como dois personagens secundários de filme europeu independente. E, surpreendentemente, deu tudo certo. Às 21h e pouquinho já estávamos no aeroporto.

Jantamos, improvisamos um cantinho para descansar e passamos a noite ali, porque nosso voo é só hoje às 12h. Agora seguimos aqui, já tomamos um belo café e agora estamos em uma área um pouquinho mais confortável para existir.

A verdade é que eu ainda não processei tudo. Ainda não caiu totalmente a ficha de tudo que vivi, experimentei, aprendi e contemplei nessa viagem. Mas uma coisa eu tenho absoluta certeza: tenho ao meu lado a pessoa mais especial e talentosa que eu poderia encontrar. Cuidadoso, paciente, inteligente e sempre disposto a ajudar alguém, não importa onde, quando ou como.

Passarei o resto da vida te agradecendo… e ainda assim vai parecer pouco perto do tamanho que essa experiência teve pra mim. Amo-te.

E ele já me deixou uma missão para a próxima viagem: “na próxima, só você fala com as pessoas.” Então amanhã mesmo já estarei me matriculando na Fisk. “the books on the table” kkk

Obrigada por acompanharem a gente até aqui.
A vida vale muito a pena.
Ela é linda. ✨

Obrigada Deus 🙏🏻

O regresso, por João

A viagem não começou a 20 dias e nem está terminando hoje. Ela envolve muitos sonhos, preocupações, dedicação e uma pitada de persistência e superação.

Foram dias abdicados de nossas famílias, que nos mostraram um pouco de outros lugares e pessoas, e também de nós mesmos.

Cada subida que cobrava a nossa desistência, mostrava o lado parceiro de quem estava ao nosso lado, e dava aquele gás para continuar.

Criamos apelidos, demos risadas, nos estressamos juntos, mas no fim do dia estava tudo bem.

Até porque estavamos bem cansados de tanto pedalar.

Quem ajuda em obra, pedala no frio, come no estacionamento do mercado, é uma super mulher e  merece o melhor que eu possa fazer.

Então hoje concluímos essa lua de mel muito louca, e nos vemos logo ali…

Uma resposta a “O regresso”

  1. famousheart6fdb92ec13

    bem vindos à Patria amada…salve ! Salve!

    boa viagem

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estrada dos romanos, a aventura da nossa vida

Uma jornada pela Via Claudia Augusta, atravessando os Alpes de bicicleta, entre paisagens incríveis, desafios e histórias que só a estrada poderá contar.

~ Juliana e João